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Então vamos à dose aplicada, que é simples de descrever e difícil de tomar.
Escolha um. Um só. E leve até a última página antes de abrir o próximo.
Se você quiser a dose exata, é esta: pegue da sua pilha o volume que está mais perto do fim, não o mais interessante. O mais perto do fim tem a menor distância entre você e a experiência de terminar, e é a experiência de terminar que você precisa reaprender. O que faz efeito aqui é o gesto de fechar, mais do que o conteúdo da página.
Enquanto ele não acabar, os outros descem da mesa de cabeceira e vão pra estante. Fora do campo de visão. Uma pilha visível é um convite permanente à troca, e a gente não vence tentação por força de vontade, vence por arquitetura.
Se aparecer no meio do caminho uma recomendação irresistível, e vai aparecer, anote o título num papel e deixe o papel embaixo da luminária. Fila, não interrupção. O desejo de ler continua inteiro dentro de uma fila. O que a fila corta é a urgência falsa.
Mais uma dose, para quem lê e não retém: ao terminar, escreva três linhas sobre o livro num caderno. Só três. O que ficou, o que você discorda, o que muda no seu dia de amanhã em diante. Sem as três linhas a leitura foi visita. Com elas, virou moradia.
E agora a pergunta final, que eu faço primeiro pra mim.
Olhe pra sua pilha, seja ela de livros, de cursos, de projetos ou de promessas feitas a si mesma. Ela cresce porque você é curiosa, ou ela cresce porque terminar dói?
Se for a segunda resposta, a saída não está em escolher melhor o próximo começo. Está em atravessar um meio inteiro, uma vez só, até o fim, pra provar ao corpo que dá.
Eu já escolhi o meu. Está aqui do lado do café, com um cartão de embarque marcando a página cento e doze. Os outros já foram pra estante.
Semana que vem eu conto se cheguei ao fim. Se não chegar, conto também, porque aqui eu não prometo perfeição. Prometo presença.
Taças erguidas, brinde feito. Seguimos!
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