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A resposta saiu uma hora depois: «Esse feriado não vai dar.»
E, junto com ela, uma sensação estranha. Uma espécie de aperto, como se alguém tivesse fechado uma porta sem pedir sua opinião.
Só que ninguém fechou porta nenhuma.
Ninguém obrigou você a alugar a casinha. Ninguém escondeu que casa alugada pede presença, que o aluguel corre mesmo vazia, que a amendoeira não varre as próprias folhas. Você sabia de tudo e escolheu com alegria.
Mesmo assim, desde março, cada feriado chega com uma frase pronta: «Tem que ser lá.» A casa espera. O contrato está assinado. Ir para outro lugar parece desperdício, quase uma traição ao sonho antigo.
E lá estava ela, na terça: a sensação de ter perdido alguma liberdade.
De onde vem o aperto?
Talvez da parte mais óbvia da história. Toda escolha de verdade tem um custo, e o custo às vezes só aparece depois. Enquanto a casinha era um anúncio salvo no celular, ela não competia com viagem nenhuma. Agora que tem rede, chave e amendoeira, ocupa o calendário. A conta que você fez em teoria chegou na prática.
Talvez de algo mais sutil. Antes da escolha, você tinha a praia e Minas ao mesmo tempo, as duas no futuro, as duas disponíveis. A liberdade parecia enorme porque nada ainda tinha sido decidido. Depois da escolha, sobrou uma. E a que ficou de fora, de repente, ganhou fogão a lenha e cachoeira.
E talvez de um lugar que você ainda não olhou. Quem sabe o «tem que ser lá» nem venha da casa. Talvez venha de uma regra que você criou sem perceber, a de que um sonho realizado precisa ser usado até a última gota para valer a pena.
O mesmo aperto aparece em outras escolhas felizes. O curso de italiano que você quis fazer, e que agora ocupa as quartas. A assinatura do teatro, que transforma toda estreia em compromisso. O sim para coordenar a festa junina da rua, que engole o mês de junho inteiro.
A escolha foi livre nos três casos. E o compromisso que ela produziu passa a parecer o contrário da liberdade.
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