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Comigo funcionou
Deu certo, e você sabe exatamente por quê. Ou acha que sabe
por Lucia Emmel
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O despertador das cinco, que levou o crédito sozinho
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Em março, você tinha um projeto atrasado e nenhuma ideia de como terminá-lo.
Leu em algum lugar que as primeiras horas do dia são as mais produtivas. Resolveu testar. Despertador às cinco, café, computador, duas horas de trabalho antes de qualquer mensagem.
Em quatro semanas, o projeto estava entregue. Elogiado, inclusive.
Desde então, você virou embaixador das cinco da manhã. Recomendou para o colega que vive atrasado, para a cunhada que quer escrever um livro, para o sobrinho em época de prova.
O colega tentou por uma semana e desistiu, exausto. A cunhada achou que você estava exagerando.
E você ficou com a impressão de que eles não se esforçaram o bastante.
Vem comigo. Continue lendo. ↓
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I A Cena
O mês das cinco da manhã
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Volte a março e olhe o mês inteiro, além do despertador.
Naquele mês, seu chefe passou três semanas viajando, e as reuniões diárias foram canceladas. Seu filho estava de férias na casa dos avós, então as noites ficaram livres. E o projeto, que estava travado por falta de uma informação, recebeu essa informação na primeira semana, quando um cliente finalmente respondeu.
O despertador das cinco estava lá, sem dúvida. Mas estava acompanhado.
Talvez ele tenha sido decisivo. Talvez tenha ajudado um pouco. Talvez qualquer horário funcionasse num mês sem reuniões, sem compromisso à noite e com a informação certa chegando na hora certa.
Não dá para saber, olhando para trás, qual desses fatores fez a diferença. O que dá para notar é que a história contada depois ficou com um personagem só.
E faz sentido que seja assim. O despertador foi a única mudança que você escolheu. As outras aconteceram por conta própria. A memória dá destaque ao que dependeu de você, e essa parte vira a explicação inteira.
Quando a explicação vira recomendação, o problema aparece. O colega acordou às cinco, mas continuou com reuniões o dia todo e chegou à noite exausto. A cunhada acordou às cinco, mas não tinha um prazo, nem um cliente, nem uma pressão que desse forma às horas. O despertador foi transplantado sozinho, sem o resto do mês de março.
Essa transferência aparece em muitos lugares. A receita de pão que deu certo com um amigo. A técnica de estudo do primo que passou no concurso. O jeito de educar que deu certo com o primeiro filho e não com o segundo.
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II O Fundamento
Os aviões que voltaram
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Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de matemáticos americanos recebeu um pedido dos militares. Os aviões que voltavam das missões chegavam cheios de buracos de bala, sobretudo nas asas e na fuselagem. Os militares queriam saber onde colocar blindagem extra.
A resposta parecia óbvia: reforçar onde estavam os buracos.
Um estatístico do grupo, Abraham Wald, propôs o contrário. Os buracos mostravam os lugares onde um avião podia ser atingido e, mesmo assim, voltar. Os aviões atingidos nos motores não estavam ali para ser contados. Tinham caído.
A blindagem devia ir justamente onde os aviões que voltaram não tinham buracos.
O raciocínio de Wald ficou conhecido como a lição do viés de sobrevivência. Quando olhamos só para os casos que chegaram até nós, tiramos conclusões sobre o que funciona sem ver o que ficou pelo caminho.
O mês de março é um avião que voltou. Você vê o despertador e o projeto entregue. Não vê os outros meses em que talvez tenha acordado cedo sem resultado, nem as pessoas que acordaram às cinco e não terminaram nada.
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III A Dose Aplicada
O que mais mudou naquele mês
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Traga para a mesa uma recomendação que você costuma fazer com convicção. Um método, um hábito, um conselho que deu certo com você.
Volte ao período em que deu certo e liste, por escrito, tudo o que mudou naquela época. Não só o que você fez. O que aconteceu ao redor.
«Além do que eu fiz, o que mais estava diferente?»
Às vezes a lista confirma: o seu gesto foi mesmo o centro. A recomendação ganha força.
Às vezes a lista mostra um contexto inteiro trabalhando a seu favor. Aí a recomendação muda de forma. Em vez de «acorde às cinco», talvez seja «procure um mês sem reuniões» ou «descubra o que está travando o projeto».
E, se puder, pergunte a quem tentou e não conseguiu. É o equivalente aos aviões que não voltaram: a parte da história que quase nunca chega a quem conta.
Taças erguidas, brinde feito. Seguimos!
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Como foi a edição de hoje?
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Taças erguidas, brinde feito. Seguimos!

Dose Plena
por Lucia Emmel
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