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Em 2002, pesquisadores da Universidade Harvard fizeram um experimento simples com estudantes de um curso de fotografia.
Cada estudante revelava duas das suas melhores fotos e precisava escolher uma para levar para casa. A outra ficaria com o curso.
Metade dos estudantes ouviu que a escolha era definitiva. A outra metade ouviu que poderia trocar de foto nos dias seguintes, se mudasse de ideia.
Dias depois, os pesquisadores perguntaram o quanto cada um gostava da foto escolhida.
Quem não podia trocar gostava mais da própria foto.
Quem podia trocar gostava menos.
O detalhe que mais intriga vem em seguida. Quando outro grupo de estudantes foi consultado antes da escolha, a maioria preferiu ficar com a opção de poder trocar. Pareceu mais seguro. Mais livre.
E era justamente a opção que deixava as pessoas menos satisfeitas.
Por que acontece assim? Os pesquisadores sugerem que, quando a decisão está encerrada, a mente faz um trabalho silencioso de acomodação. Começa a reparar nas qualidades do que foi escolhido, a fazer as pazes com os defeitos, a seguir em frente.
Quando a decisão continua aberta, esse trabalho não começa. A mente fica em modo de comparação. E comparação permanente é um jeito eficiente de não gostar de nada por inteiro.
A descoberta muda um pouco a pergunta.
Em vez de apenas:
«Será que eu escolhi certo?»
talvez valha perguntar:
«Eu deixei a minha escolha terminar de acontecer?»
Porque reabrir uma decisão parece prudência. Às vezes é. Quando aparece um fato novo, revisar é sinal de lucidez.
Mas quando nada mudou, reabrir é só uma forma de nunca chegar ao outro lado da escolha, onde ela finalmente começa a ser sua.
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