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A vontade de resolver é legítima, e vale começar por ela.
O prazo é real. O dinheiro do tênis também. E existe um prazer discreto em ver um problema sumir da casa em quatro minutos, sem discussão, sem lembrete, sem a terceira pergunta do tipo «e aí, trocou?».
Quem sabe fazer e faz não está errando. Está usando o que sabe.
O que segura o dedo em cima do botão é outra pergunta, que chega meio de lado: se eu resolvo esta, quem resolve a próxima?
Porque a troca do tênis é pequena, mas ela tem parentes. A inscrição que vence na semana que vem. O horário que precisa ser remarcado. A conversa com o professor de violão sobre a aula perdida. Cada uma, sozinha, cabe em poucos minutos. Juntas, formam o jeito como alguém aprende a lidar com o que trava.
A caixa parada admite mais de uma explicação, e nenhuma delas vem com certeza.
Talvez ele esteja enrolando porque sabe que alguém vai resolver no último dia. Talvez simplesmente não saiba por onde começar, e o «vou trocar» tenha sido uma intenção sem mapa. Talvez esteja com vergonha de ter errado o número e prefira não olhar para a caixa. E talvez, também, ele resolvesse no sábado de manhã, às pressas, do jeito dele.
Você não sabe qual dessas leituras é a verdadeira. Só sabe que o botão está ali, a um toque.
A expressão «deixa que eu resolvo» costuma vir de quem tem mais experiência, mais pressa e mais carinho, nessa ordem ou em outra. Ela aparece entre pais e filhos, mas também entre irmãos, entre amigos, entre o colega que domina a planilha e o novato que trava nela. É um gesto de cuidado. E, repetido muitas vezes, pode passar uma mensagem que ninguém pretendia mandar: «Você não dá conta.»
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