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Em 1988, dois pesquisadores americanos mostraram o quanto esse engano é comum, mesmo entre pessoas atentas.
Eles apresentavam aos participantes uma série de decisões já tomadas por outras pessoas, descritas em detalhe: as informações disponíveis na hora, as alternativas, os riscos conhecidos.
A descrição era idêntica para todos. O único elemento que variava era o desfecho. Para uns, a história terminava bem. Para outros, terminava mal.
Depois, os participantes avaliavam a qualidade da decisão e a competência de quem decidiu.
Quem soube do final feliz julgou a decisão melhor e a pessoa mais competente. Com as mesmas informações, o mesmo raciocínio, as mesmas alternativas.
O fenômeno ficou conhecido como viés do resultado. O final pinta o caminho inteiro com a sua cor.
O problema é que, na vida, o resultado depende de duas partes. Uma é a decisão, aquilo que estava ao seu alcance: o que você sabia, como pensou, o que pesou. A outra é a sorte, tudo o que não estava: a chuva, o mercado, o humor de quem recebeu o seu trabalho.
Uma boa decisão aumenta a chance de um bom resultado. Não garante.
E uma decisão ruim pode, de vez em quando, dar certo. Esse é justamente o caso mais perigoso, porque é o único que não pede revisão. Ninguém para para examinar o que funcionou.
A pergunta desta sexta cabe inteira aqui: se deu certo, significa que decidi bem?
Talvez. Mas o resultado sozinho não é capaz de responder.
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