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Na segunda seguinte, a porta estava aberta.
O seu Antônio, bronzeado, contou que tinha ido ao casamento da neta no Nordeste. Primeira semana de folga em onze anos. Tinha esquecido de colar o aviso.
A explicação da semana anterior desmontou em uma frase.
E ela parecia sólida. Não era um palpite. Tinha a força de uma certeza, e essa força vinha da coerência. O supermercado existia. A fila menor existia. A porta baixada existia. Ligar os três pontos foi rápido, quase automático, e o desenho ficou bonito.
Só que coerência e verdade são qualidades diferentes.
Uma explicação coerente é aquela em que as peças se encaixam. Uma explicação verdadeira é aquela que corresponde ao que aconteceu. A primeira se avalia dentro da cabeça. A segunda só se confirma lá fora, com informação que nem sempre temos.
E a cabeça, diante de um fato estranho, prefere a primeira. Ela não gosta de buracos. Uma explicação qualquer, desde que bem montada, costuma ser mais confortável do que um «não sei».
Há uma outra camada, mais delicada. A explicação escolhida nunca é neutra. Ela foi buscar justamente o supermercado, aquele que você frequentava com uma ponta de culpa. A explicação disponível era a que já morava na sua cabeça.
E, contada ao vizinho, ganhou ainda mais força. Uma história repetida por duas pessoas parece duas vezes mais verdadeira, embora continue tendo uma única fonte: o seu palpite.
Situações assim não faltam. A mensagem não respondida que vira desinteresse. O cliente que cancelou e que você decide ter ido para o concorrente. O filho que ficou quieto no jantar e que, claramente, está escondendo algo.
Às vezes a explicação está certa. Às vezes não. O ponto é que a sensação de certeza é igual nos dois casos.
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