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Sala escura, poltrona do meio, celular no silencioso.
O filme começa devagar. Tudo bem, alguns começam assim. Aos vinte minutos, nada aconteceu. Aos quarenta, aconteceu, e foi pior do que nada.
Tenho duas opções.
Posso levantar, sair, tomar um café na rua e ganhar a tarde de volta.
Ou posso ficar.
Fico.
E fico com um argumento muito bem montado na cabeça: o ingresso estava caro, sair agora seria jogar o dinheiro fora.
Só que o dinheiro já foi. Ele saiu da minha conta antes de o filme começar, e nenhuma decisão tomada dentro daquela sala vai trazê-lo de volta. Se eu saio, perdi o ingresso. Se eu fico, perdi o ingresso e mais uma hora e meia.
Dito assim, parece óbvio. Na poltrona, não parece nada.
O nome técnico para o fenômeno é custo afundado: aquilo que já foi gasto e não pode ser recuperado. Tempo, dinheiro, esforço, paciência. O detalhe incômodo é que esse custo, que deveria ser o menos importante da conta, costuma ser o que mais pesa na hora de decidir se continuamos.
O filme é o exemplo pequeno. Os grandes são menos engraçados.
A academia paga por um ano, que você frequenta com raiva. A faculdade que deixou de fazer sentido no terceiro semestre, mas «agora já está na metade». A reforma da casa que dobrou de preço e segue de pé porque parar seria admitir o erro.
Em todos eles, a mesma frase trabalha em silêncio: já investi demais para desistir.
Escrita de outro jeito, ela fica mais honesta. Já perdi muito, então vou perder mais um pouco, para não precisar reconhecer que perdi.
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