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Nessa cena acontecem duas falhas diferentes, e a gente costuma enxergar só uma.
A primeira falha é concreta. O plano não coube na vida. Terça e quinta às sete da noite pareciam ótimas quando você olhou a agenda em março. Não contavam com a reunião que começou a atrasar. O plano era bom no papel e frágil no mundo.
Até aqui, nada de grave. Planos falham o tempo todo. São tentativas de prever o futuro, e o futuro raramente coopera.
A segunda falha é mais silenciosa. Ela acontece quando, diante do plano que não funcionou, a conclusão salta direto para a decisão.
«O horário não funcionou» vira «eu não consigo manter».
«Eu não consigo manter» vira «espanhol não é para mim».
Em dois passos, sem que você perceba, a falha de um horário virou a revogação de uma decisão.
Com a cabeça fria, ninguém desistiria de aprender espanhol por causa de uma reunião que atrasa às terças. Ninguém abandona um projeto por um motivo tão pequeno, quando o motivo aparece com clareza.
O problema é que ele não aparece com clareza. Aparece misturado.
Decisão e plano chegam juntos, no mesmo pacote. A decisão é o quê e o porquê: aprender espanhol, porque você quer ler aqueles autores no original, porque quer conversar na próxima viagem. O plano é o como: a escola, os dias, o horário.
Quando o como falha, a sensação é de que o pacote inteiro falhou.
E aí, entre continuar tentando um plano que não cabe e desistir de tudo, a segunda opção parece até um alívio.
Mas existe uma terceira opção, quase sempre esquecida: manter a decisão e trocar o plano.
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