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Sábado à noite, aniversário de um conhecido. Você não queria ir. Estava com sono, tinha outros planos, e a amizade nem é tão próxima assim.
Foi.
Na segunda, alguém pergunta como foi o fim de semana, e você responde, quase sem pensar:
«Fui num aniversário. Não tive escolha.»
Agora, com toda a calma, imagine que alguém pede para você descrever exatamente o que teria acontecido se não fosse.
O aniversariante teria ficado chateado, talvez. Algumas pessoas teriam perguntado por você. Haveria um certo constrangimento no próximo encontro. Você teria que inventar uma desculpa, ou dizer a verdade, o que seria pior.
Repare no que a lista mostra.
Você tinha escolha. O que você não tinha era uma opção sem custo.
São situações muito diferentes, e a frase «não tive escolha» junta as duas no mesmo saco.
Existe a falta real de escolha. Ela acontece, e ninguém deveria minimizá-la. Uma enchente fecha a estrada. Uma demissão chega sem aviso. Um voo cancelado desmonta a viagem inteira.
E existe a outra situação, muito mais frequente: a escolha cujo preço não queremos pagar. O desconforto de uma conversa, a frustração de alguém, a imagem que vai ficar, o dinheiro que se perde, o trabalho de explicar.
Na segunda situação, dizer «não tive escolha» parece só um jeito de falar. Mas a frase faz um trabalho silencioso. Ela transfere a decisão para fora. A responsabilidade deixa de ser sua e passa a ser das circunstâncias, do aniversariante, do chefe, da vida.
E, junto com a responsabilidade, vai embora uma parte que você talvez não quisesse entregar: a sensação de que a sua vida é feita por você.
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