Em algum momento, de algum modo, por algum motivo, eu me perdi.
Que justificativas eu me dou para agir contra o que eu quero?
Qual era mesmo o ponto?
Domar as vontades mais genuínas.
Domesticar os instintos primais.
Editar os impulsos.
Retirar de mim o que eu achei errado.
Inadequado.
Estranho.
Indevido.
Trancar no porão escuro da consciência tudo o que eu chamei de inaceitável.
E depois seguir vivendo como se nada tivesse sido empurrado para baixo.
Eu olho para o que eu não quero encarar.
E eu vejo.
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— Lucia Helena


