🔍 Eu não quero – você também não quer.

De verdade? Você não vai querer. Ninguém quer.
Mas a gente percebe.
As pessoas não acordam um belo dia pedindo mais percepção das coisas.
A gente tropeça na percepção — normalmente depois de já ter batido a canela umas dez vezes nas quinas dos próprios hábitos.

Ela vem assim: no susto, no cansaço, no esgotamento completo de quem tentou ser funcional demais.
É quando o cérebro resolve sair do modo avião e liga a antena existencial.
Aí você olha ao redor e pensa:

“Era isso? Correr numa esteira automática sem sair do lugar é a metáfora da minha vida?”

Pois é.
Bem-vindo à percepção, a primeira luz do entendimento.

Percepção não é glamour.
Nem iluminação divina.
É uma lanterna mental que acende a consciência e escancara uma sensação limite:

“Isso precisa parar!”

- Constatação Mental Seca -

E a partir daí, o sossego acabou.

A faxina mental será árdua:
Você terá que colocar os pensamentos no sol, pendurar o ego no varal, encarar o que está por trás das insistências que anda repetindo como um protocolo-padrão de comportamento.

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💥 A visita incômoda

É desconfortável, sim — pode acreditar.
Mais fácil seria seguir no automático, deixar tudo como está, fingir que nada foi percebido.

Só que, olha que loucura: você percebeu.
E agora, não dá pra voltar atrás.
Desperceber não está no hall de opções.

A percepção chegou para fincar pé. Ela tem método.
Lanterninha acesa na mão, discreta e furtiva, ela entrou.
E meteu a luz na cara da sua consciência.
Ela não vai embora, não vira o rosto, não fecha os olhos.

E pior:
Não existe tapume mental que você possa usar para se livrar dela.

Ela conhece todos os nossos mecanismos – inclusive os de fuga.
Ela observa nossas manobras de resistência e espera, pacientemente, o castelinho de cartas da nossa ilusão desabar. De novo. E mais uma vez. E outra.
(Esse castelinho de cartas me dá nos nervos até na hora de escrever! Aaah! Que fase!)

E a percepção espreita. Atenta.
Enquanto a gente se debate contra as imagens mentais cada vez mais nítidas, projetadas atrás dos olhos.
Imagens que destroem a tentadora (e traiçoeira) zona de conforto, enquanto socam o estômago — sem dó.

Golpe baixo.
As pálpebras fechadas não impedem essa percepção. Ao contrário: elas atiçam ainda mais a nitidez das imagens, a cada piscada.

E incomoda.

Mas a percepção, mesmo quando incomoda… também liberta.
E às vezes, a gente resiste bastante antes de realmente enxergar essa possibilidade.

Porque ninguém busca o desconforto.
E é por isso que a gente não acolhe com muito entusiasmo esse tipo de percepção.

Mas precisamos dela — já que é o primeiro passo para parar de repetir cena ruim achando que ainda é parte do ensaio.

E então — só então — começa o verdadeiro espetáculo da consciência.

(Parêntese de pausa para retomar fôlego. Ou tomar um gole de café. Ou os dois.) ☕

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“Pronto. Fôlego atualizado. Seguimos. Nada de drink coloridinho hoje, parece.” 🙄

- A Redatora

🧠 Consciência despertada — a retomada de posse

Agora você cruzou aquele ponto sem retorno.
Uma verdade — antes despercebida — atravessou a sua mente de forma tão evidente que já não é possível voltar ao estado anterior.

Você pode tentar de tudo — e a maioria de nós tenta, mesmo!

Procura distrações, repete padrões, esconde-se nas rotinas.
Mas algo em você já foi tocado.
E não dá mais pra fingir que não foi.

Desta vez o véu se desfez.
E a partir daí… tudo muda.

As distrações antigas perdem o brilho.
As desculpas velhas já não servem.
O autoengano se torna insuportável.

Insuportável só para você, que fique claro.
As outras pessoas nem imaginam o pandemônio que está rolando aí dentro.

O silêncio confortável da inconsciência não está mais disponível para você.

A consciência, essa sacaninha, não oferece conforto — oferece cobrança.
Ela nos condena a refletir até reconhecer o próximo ato.
Ela exige responsabilidade — e, de arrasto, cobra presença, coerência... e renúncia.

Ela quer que você seja um ser humano melhor.
Lide com isso.

Não adianta alegar ignorância.
Não convence mais — você captou.
A sua consciência integra a ideia e dá o parecer.
Agora você acata ou rebate à altura.

Ela não aceita resposta automática.

Aquilo que antes era sombra… agora tem nome, forma e cor.
E sua consciência ergue uma sobrancelha: continuar como antes seria trair o que você já sabe.

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⚔️ A batalha mais importante — sem cair no dramalhão

Carl Jung dizia que a grande batalha não se trava no mundo exterior — mas acontece nas profundezas da nossa própria mente.
E que é justamente esse diálogo interno que define a qualidade da nossa existência.

Vale emoldurar essa:

A QUALIDADE DA NOSSA EXISTÊNCIA DEPENDE DA QUALIDADE DO NOSSO DIÁLOGO INTERIOR.

— Carl Jung

Que responsabilidade, hein?!

As batalhas mais importantes que travamos não são expostas aos olhos do mundo.
Não rendem aplausos — nem medalhas.
Elas acontecem no silêncio do próprio ser — naquele lugar que ninguém vê, mas que todos carregam dentro de si.

São elas que definem nossa integridade.
Nosso autoconhecimento.
Nosso ponto de virada.

Através desse diálogo com a própria consciência, a gente desenvolve nossa personalidade.
Encontra a nossa verdade.
E tenta — com toda força — viver de acordo com ela.

“O que está por vir será criado em você e a partir de você. Por isso, olhe para dentro de si.”
“Nenhum outro caminho é como o seu.”
“Você deve cumprir o caminho que está em você.”

Carl Gustav Jung

Ali a gente confronta medos antigos, crenças limitantes, desejos não resolvidos.
Não dá para fugir. Nem negar. Nem culpar alguém.

Você está diante de si.
Frente à verdade mais honesta - e difícil - que pode encarar.

Neste espaço íntimo, você mede sua força.
Exerce suas escolhas:
Vai acatar ou resistir?
Reagir ou repensar?
Vai se esconder — ou confrontar o que mais teme?

Aqueles que reconhecem claramente a voz de suas próprias consciências normalmente reconhecem também a voz da justiça.

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🕯️ A consciência não é luxo zen

A consciência não é um privilégio de gente iluminada, com incenso de alecrim e frase de Jung bordada na almofada.
A consciência é um chamado.

Chamado para parar — de verdade.
Para encarar o próprio reflexo sem maquiagem externa. Sem pose armada.
Para ouvir aquele silêncio que a gente vive abafando com afazeres, boletos e diagnósticos rápidos.

E pra parar assim, de verdade, é preciso um mínimo de percepção e uma dose generosa de desconforto.

Sim, o desconforto.
Porque é ele que estica o osso da lucidez, que traz a consciência para o agora.
É ele que dá o tranco quando a gente prefere seguir zumbizando no piloto automático.

E cá entre nós: a percepção assusta.
Ela nos tira das certezas seguras, das respostas prontas, da autoimagem bonitinha.

Mas também abre espaço.

Espaço para a consciência questionar o que já não faz sentido.
Para tirar o mofo da alma.
Para escolher de novo.

“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou.”

Albert Einstein

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🛑 Parar também é uma forma de sabedoria

No final das contas, a verdadeira inteligência não está em saber tudo.
Está em saber parar.

Parar de repetir padrões.
Parar de aceitar o que deve ser confrontado. (Essa virou quase regrinha de convivência hoje em dia - credo!)
Parar de ignorar a própria verdade — aquela que fala baixinho, mas nunca cala.

E quando a gente escuta? Ah, meu bem.
Quando a gente escuta… é o começo da virada.

Cada pensamento observado.
Cada sentimento compreendido.
Cada reação que você decide não repetir — é um passo rumo ao domínio interior.

É o momento em que você olha para o caos, ergue a sua taça existencial e pensa:

Quem vence a si mesmo não precisa provar mais nada.

Com a minha máxima consideração,
Lucia Helena

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💠 Microdoses da Semana:

Shots das experimentações semanais da autora.

📚 Microdose Literária
O Demônio do Meio-Dia: Uma Anatomia da Depressão”— Andrew Solomon
Um livro que mistura relato pessoal com análise profunda sobre estados mentais e percepção existencial. Mesmo sendo sobre depressão, é uma aula sobre como a consciência escancara verdades que antes estavam soterradas. Forte, tocante, reflexivo.

🎧 Microdose musical
Let It Go– James Bay
Sobre abrir mão do que já não serve mais, mesmo que doa. Tem aquele tom existencial suave com um pouco de “lucidez ardidinha”.

🎬 Microdose Audiovisual
After Life” (Netflix) – Ricky Gervais
Uma série agridoce sobre alguém que perde a “falsa estabilidade” da vida e começa a enxergar tudo com lucidez brutal. Ácida, engraçada e com muita consciência nas entrelinhas.

💭 Microdose filosófica
Citação curta para bilhete de guardanapo de boteco existencial:

"Seja você mesmo, porque todos os outros já existem."

Frase atribuída a Oscar Wilde

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🍸 No Balcão do Lounge

Esses são os assuntos que andam agitando a coqueteleira — mas quem sabe você me ajuda a escolher a próxima rodada?

👇 Vote aqui e me diga: qual dessas doses você pediria primeiro?

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Obrigada por ler até aqui!
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Ao centro — e adentro! ☕☕

Nas próximas doses, quem sabe a escolha também é sua.
Tem enquete no ar — me diz o que você pediria no balcão do Lounge? 🍸

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