
Não permita que a raiva o torne cruel.
💢 O problema não é o mundo... é a expectativa.
A gente acorda cedo, reza, faz nosso melhor, tenta manter o bom humor.
Mas aí o entregador amassa uma encomenda novinha como se fosse jornal velho.
O motorista do carro à frente arrasta-se a dez por hora na faixa da esquerda, sem sair.
Outro não dá sinal, fura uma preferencial quase causando um acidente, e ainda buzina para desaforar todo mundo em volta. O dono da razão.
Um colega de trabalho desconsidera instruções, faz tudo errado — e vai sobrar para você, no fim das contas.
Dá raiva. Claro que dá.
Mas… e então?
Não devemos deixar a raiva nos tornar maldosos.
Pessoas organizadas e bem-preparadas muitas vezes se frustram por um motivo simples: o mundo está constantemente decepcionando.
As pessoas esperam que todos sejam como elas,
que trabalhem tanto quanto elas,
que se importem tanto quanto elas,
que mantenham os mesmos padrões que elas.
E, se não isso, pelo menos esperam que cada um apareça e faça seu trabalho.
É a diferença entre essas expectativas e a realidade que nos deixa irritados.
Irritados com isso, irritados com aquilo, dia após dia.
Segundo os estoicos, a raiva nasce mais dessa diferença entre o que se espera e o que acontece do que de qualquer injustiça objetiva.
Esperamos que o mundo seja justo, organizado, cortês.
Ele não é.
O que encontramos é caos, atrasos e grosserias absurdas.
Resultado: frustração acumulada e um gatilho para mergulhar na mesma vibe.
É compreensível... mas não é aceitável descontar a raiva nos outros.
Porque não só é uma maneira miserável de viver, mas pior, também torna o dia das outras pessoas miserável.
E isso é particularmente inaceitável.
Ninguém tem permissão para externalizar suas frustrações nos outros, ou piorar o mundo por causa de sua própria frustração.
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💣 O impulso é humano. A ação, uma escolha.

O instante entre o impulso e a execução. O espaço onde mora a escolha.
Existe uma diferença entre sentir raiva e agir com raiva. Entre o impulso e a ação.
E essa diferença, apesar de minúscula no relógio, é gigantesca na vida.
É bem simples, mas às vezes somos tão rigorosos conosco que esquecemos: sentir raiva não nos faz desumanos.
Há uma diferença entre ser tentado e ceder à tentação. É humano ficar com raiva, e é mais humano ainda não tomar uma decisão com raiva.
Dê um espaço, tanto quanto possível, entre sentir e agir.
Sentir o sentimento e agir com base nele são separados por um espaço, e quanto maior esse espaço, melhor a escolha que se faz.
Sêneca dizia que o melhor remédio para o temperamento era o adiamento.
Não é que a raiva vá embora sozinha — mas ela perde potência quando você ganha tempo.
A Dra. Becky Kennedy, no livro Good Inside (Eduque sem Medo), mostra como ensinar isso para crianças. Mas é igualmente importante e serve bem para nós, adultos, também.
“Os pais muitas vezes têm o objetivo de se livrar do impulso,” ela escreve.
“O que há de errado com você?”
“Por que você quis machucar alguém?”
Quando o melhor seria tentar “humanizar o impulso e orientar aonde é permitido que uma criança o descarregue,” porque “isso permite que a criança ganhe regulação e, com o tempo, tome melhores decisões.”
“O impulso não é o problema. O problema é onde a gente o descarrega.”
Vê? Raiva não é defeito de caráter. É parte do pacote humano.
Rótulo: inflamável. Conteúdo: humano.
O que fazemos com ela, sim, é decisão nossa. É isso que devemos tentar melhorar.
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💥 A raiva não te torna maldoso — a ação sim.

Desculpe o transtorno, estamos tentando não explodir.
Marco Aurélio escreveu que não é "vantagem” ficar com raiva. Que é melhor contornar os espinhos do que berrar com eles.
A vida real é bagunçada, irônica e confusa.
“Não vá esperando a República de Platão”, ele dizia.
Pois é.
O mundo está mais para o caos da fila de lotérica do que para uma utopia filosófica.
O impulso existe, mas você não precisa explodir.
Nem com a má vontade do caixa do mercado, nem despejar rancor num e-mail malcriado às 2 da manhã.
Muito menos jogar a panela (mental ou literal) quando alguém destrói um momento ou uma oportunidade.
Controlar-se não é reprimir-se.
É ter força suficiente para redirecionar sem contaminar.
Gentileza, aqui, é forma de autocontrole. E dos bons.
É maravilhoso que tenhamos altos padrões.
(E escrevo isso tudo para me lembrar, inclusive).
É maravilhoso que sejamos exigentes com nós mesmos.
É maravilhoso que façamos nosso trabalho com a melhor entrega possível.
Mas precisamos estar dispostos a ser flexíveis e tolerantes com outras pessoas.
Precisamos ter paciência. Manter nossas frustrações sob controle.
Isso é o que nos torna melhores.
Esse é o ponto de tudo isso.
Então, sim — você pode ferver por dentro.
Mas se conseguir mesmo assim servir o café com gentileza…
você venceu o jogo que importa.
E se não conseguir hoje, continue se esforçando.
Eu tento — e falho, e tento de novo, todos os dias. A gente vai melhorando.
A raiva é um bicho barulhento. Mas você ainda é quem segura a coleira.
Haja treino!
Com carinho e um grande abraço,
Lucia Helena
E amanhã, talvez, espere dois segundos antes de apertar o "enviar". 😅
🥂 Taças erguidas, brinde feito — Seguimos!
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Como essa dose bateu em você?
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🥃 Microdoses da Semana
🎧 Trilha sonora
I Won’t Back Down – Tom Petty
📚 Livro
Meditações – Marco Aurélio — O imperador romano Marco Aurélio escreveu os doze livros das Meditações como uma fonte para sua própria orientação e para se melhorar como pessoa. Vale como obra eterna, livro de cabeceira para olhar todos os dias.
🎞️ Filme
Tomates Verdes Fritos — tem raiva, mas também tem amizade, amor, empatia e fritura.
🗯️ Frase para guardar
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Gratidão por seu apoio, por sua leitura e por ser parte integrante do Lounge Dose Plena. 🤝🏼✨🥂




