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A primeira exceção foi impecável.
Tinha motivo, tinha urgência, tinha fim. Qualquer pessoa razoável, no meu lugar, teria aberto aquele email. Eu abriria de novo.
O problema não estava nela.
Estava no que aconteceu depois, sem que ninguém percebesse.
A segunda exceção já se apoiava na primeira. «Se abri semana passada, não custa abrir agora.» A terceira se apoiava nas duas anteriores. E, em algum ponto entre a terceira e a quarta, a palavra exceção deixou de fazer sentido.
Ninguém decidiu que o sábado agora tinha expediente. Não houve conversa, não houve combinado, não houve sequer um momento em que eu pensasse no assunto. A regra antiga, a de que sábado era meu, simplesmente foi sendo substituída, um email por vez.
O mesmo desenho aparece em muitos lugares.
O celular na mesa do jantar, «só hoje, estou esperando uma ligação». O doce depois do almoço, «só hoje, foi um dia difícil». O colega que entrega atrasado, e você cobre, «só desta vez, ele está sobrecarregado». O prazo que você mesmo estica, uma semana, depois outra.
Em todos eles, cada exceção, olhada sozinha, faz sentido. O que nenhuma delas mostra é a soma.
E a soma é uma regra nova, que entrou em vigor sem votação.
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