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Em 1956, um economista americano, que mais tarde ganharia o Nobel, propôs uma palavra que até hoje não tem tradução perfeita: satisficing.
É a junção de duas palavras em inglês, satisfazer e suficiente.
A ideia dele era simples e, para a época, provocadora. Na vida real, ninguém decide como as teorias econômicas supunham, comparando todas as opções possíveis até achar a melhor. Ninguém tem tempo, informação ou cabeça para tanto. O que as pessoas fazem, e fazem bem, é definir um critério de «bom o bastante» e escolher a primeira opção que passa nele.
Não se trata de preguiça. Para ele, era a única forma racional de decidir num mundo onde a informação custa tempo.
Décadas depois, outros pesquisadores levaram a ideia adiante. Num estudo publicado em 2002, separaram as pessoas em dois perfis: as que buscam sempre a melhor opção possível e as que se contentam com a primeira opção boa o bastante.
O resultado incomoda. As que buscavam o melhor ficavam, em média, menos satisfeitas com o que escolhiam, se arrependiam mais e pensavam mais nas alternativas que deixaram para trás.
Um trabalho posterior, com recém-formados procurando o primeiro emprego, foi além. Quem buscava a vaga perfeita até conseguiu salários iniciais maiores. E, mesmo assim, se sentia pior com a escolha.
O liquidificador ideal, aparentemente, não existe. E procurar por ele custa mais do que a diferença entre ele e o segundo melhor.
A pergunta que separa pesquisa de adiamento é uma só: que informação nova mudaria a minha escolha?
Se você consegue dizer qual é, pesquise. Vale a pena.
Se não consegue, você já tem o que precisa. O resto é só uma forma educada de esperar.
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